De onde vem essa vocação perdedora de Ip? Será que a cultura local já incorporou a desesperança? Pense num lugarzim ladeira abaixo! Você viaja pelas cidadezinhas do interior da Paraíba e vê coisas novas, a cidade arrumadinha. Não sei como funcionam educação, segurança e saúde mas há alguma ordem urbana que deixa perceber certo cuidado.
Ip, coitado, é triste! A principal entrada da cidade via BR 116 é um buraco embaixo de uma ponte. Será que algum dia terminará a tal pinguela ou ela ficará como está para combinar com aqueles dois prédios: lavanderia e açougue? Ou, sei lá, é uma amostra grátis do que se vai encontrar nas ruas da cidade. Ow lugar desmantelado! O calçamento nem se fala. É igual ao ordenamento do trânsito. Não existe. Será que o povo estaciona em cima das calçadas por incivilidade ou por falta de ordem ? Taí uma coisa que é a corda e a caçamba, dão certinho: o trânsito e o calçamento. Um feito para o outro. A comunhão perfeita de incivilidade e atraso. É o cartão postal da cidade. Se um acidente acontece com essa desordem do trânsito, quem devia ser acionado na justiça eram os órgãos públicos.

As ruas do bairro São Luiz são uma lição de como não urbanizar uma cidade. Cada um expande a sua casa até onde quer. Calçadas de todas as larguras, ruas totalmente desalinhadas. Não tem saneamento nem calçamento. É um primor da desordem urbanística da cidade.
O comentário geral sobre a escola Dr. Jarismar é a decadência das instalações. Será que nem o Ministério Público vê a situação da escola? Tratar assim as crianças sem dar-lhes a mínima condição de infra estrutura e conforto não é mais nem acinte, é uma indecência, uma afronta ao Estatuto da Criança e do Adolescente.
E a saúde? Tem coisa mais doente do que a saúde em Ip? Como é que uma cidade não tem um médico permanente? O hospital atende com o coração porque condições ali não existem. Mas coração e boa vontade não fazem milagres. No domínio da ciência a regra é outra. Tem gente que diz que dá pena. Eu acho que dá vergonha.
Não estou nem falando em políticas públicas, estou falando em ações pontuais, em intervenções que não resolvem o problema mas amenizam algumas necessidades básicas.
Agora me diz, Cleidinha, alguém pode ter esperanças de ver esta cidade investir em arte e cultura? Será que alguém teria a ousadia de propor a reconstrução do CRI com uma finalidade nobre? Somos meia dúzia os que queremos um IP melhor mas estamos sitiados pelo balcão da politicagem mal acostumada que, aliás, não é novidade, é tradição. Cada um no seu papel e na sua função, os predadores da dignidade pública vão cumprindo a sua missão. Entra eleição e sai eleição. Entra prefeito e sai prefeito. Câmara vai, Câmara vem. E o povo só negociando voto. Tá tudo dominado. Pelo menos, não podemos dizer que não há harmonia no conjunto
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ML
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